Preparação para o Irã

Como já era de se esperar, com time formado, era hora de começar a preparação, pois a viagem aconteceria em cerca de dois meses a contar da fase nacional (o tempo não era muito nosso amigo).

Inicialmente, ocorreu a separação de problemas entre os integrantes da equipe e a tradução dos relatórios para o inglês, além do começo dos tramites legais da viagem, como documentação e visto (esse último nem vale comentar, porque se você acha que viajar para o exterior é difícil, então te desafio a tirar um visto iraniano). Logo após, a organização designou dois colaboradores (um da organização e um voluntário) para cada problema, que deveriam nos ajudar via e-mail a melhorar os relatórios (ou começar uma solução inteira em alguns casos) e tentar nos orientar com nossas dúvidas. Nesse ponto, eu tive muita sorte, a maioria dos meus colaboradores foram extremamente solicitos em todos os sentidos: no desenvolvimento de fórmulas e teorias que eu não estava conseguindo fazer, na hora de tirar dúvidas que eu tinha pra desenvolver minhas soluções (devo ter enchido muito a paciência deles com a quantidade de dúvidas por e-mail, mas isso é um caso a parte), nas dúvidas sobre os erros experimentais e até mesmo no design dos slides. Aliás, aproveito este post para agradecer a todos eles, se me permitem colocar os nomes (enfim, já estou colocando): Allison, Victor, César, Lucas (esse não é o da equipe, só pra diferenciar) e Victória. Esses eram os colaboradores dos meus projetos, mas o resto da organização, de maneira geral, ainda estava tentando ajudar a melhorar os relatórios. Um exemplo disso é a lousa que o César conseguiu preencher no último dia antes da viagem pra conseguir definir a eficiência de um carrinho de bexiga, as duas páginas ou mais do Victor da limitação do tamanho dos dominós, o e-mail do Lucas com mil e uma informações sobre o rolemento do cilindro e a ajuda do Allison na parte de físico-química no problema da fita adesiva. Os outros também tiveram seus colaboradores, mas só posso falar por mim.

Lousa do César para a eficiência do carrinho de balão.

Derivação do Victor.

De preparação presencial mesmo só tivemos uns três dias em um feriado de junho e mais uns cinco nas férias de julho, mas era mais pra treinar os PFs em inglês mesmo e melhorar as apresentações em si. Lógico que todos ficavam dia e noite resolvendo tudo em casa, sem dormir (ou tomando pó de guaraná pra conseguir resolver tudo a tempo – a pessoa de quem eu to falando sabe que é pra ela hahaha), virando as noites pra terminar de ler os artigos, gastando as tardes dentro dos laboratórios, ficando até tarde atualizando ppts e relatórios no Dropbox, bem como conversando no MSN sobre a energia sonora dissipada, a refração e a polarização da luz (e sobre os canais bizarros de Santos, a perda de documentos do PC e os lugares que a gente queria visitar na volta por Dubai, mas isso é mero detalhe). Enfim, no fim das contas, até que tínhamos alguns relatórios muito bons, como o da “queda lenta” do Mateus (e o 3, que também ficou pra ele e que deu um trabalhinho, mas ele conseguiu chegar numa solução perfeitamente plausível) e o dos “vikings” do Danilo Eu ainda acho que um ou outro dos meus relatórios também tinham algum valor, se me permitem a falta de modéstia. Também tinha umas 3 soluções (e devo dizer que esses foram os problemas mais aleatórios da competição, pois abrangiam assuntos muito “sem noção”) em que o Lucas (agora, esse é o da equipe) tava trabalhando.

Mas também tiveram algumas vezes em que não dava mais pra trabalhar, e essas horas resultavam em:

  • Montagens de dodecaedros com kits de química (e de uma vez quando “alguém” surtava porque o dodecaedro tinha sido desfeito por outro “alguém”, que tentava ajudar a montar de novo, mas acabava virando um “dodestranho”, já abusando dos neologismos).

Dodecadro de "alguém" que eu não sei se me permite citar o nome neste caso.

  •  Uso da caixa de som que seria usada pras vibrações do “Faraday Heaping” para montagens esporádicas de um “Spaghetti Heaping“. Se clicarem no link, o vídeo só tem uns 15 segundos, mas reparem na farinha espalhada, coitada da caixa de som… (reparem também que daria realmente pra montar o amontoamento de Faraday naquela caixa de som pelo movimento em que estão os grãos de farinha)

A propósito, esse espaguete do problema 4 servia pra basicamente tudo: servia para o problema 4 em si, servia de agulha, de comida quando tostado no bico de bunsen do laboratório, servia pra fazer sujeira pelo chão, pra gente ficar jogando no piso, de prego pra isopor, pra que mais produção?

Enfim, no último dia antes da viagem a gente ainda estava terminando os experimentos (aliás, nas últimas horas antes da viagem eu ainda fui pra lá) e aquele laboratório da Paulista estava uma caca só.  Estava a casa da mãe Joana, como diria minha mãe. Papel queimado do problema 16, espaguete do problema 4 no chão, utensílios em geral do problema 3 espalhados, uma porta que a gente arrancou pra usar pro experimento 14 (e colocamos de volta, que fique bem claro), a farinha do experimento 10, balão, isopor, enfim… Meu pai se assustou com a cena quando foi lá me levar alguns adaptadores na manhã do dia da viagem (aliás, sorte que meus pais foram atrás dos adaptadores de tomada e dos lenços que eu teria que usar na cabeça, porque eu não estava com tempo pra pensar em coisa alguma). Coitada da moça da limpeza que eu vi lá de noite.

Resumindo, foi isso a preparação.

P.S.: também teve a história engraçada da coca-cola, mas essa eu passo (mas que foi hilário, ah isso foi…).

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Publicações do IYPT

Hoje, eu queria falar das publicações que estão sendo feitas com conteúdo relacionado ao torneio. Em 2011, a organização internacional convidou qualquer aluno ou cientista a escrever artigos (papers) baseados em alguns dos problemas do IYPT, fosse de 2010 ou 2011, para serem publicados no IYPT Book, sendo essa uma publicação científica internacional com o intuito de incutir a pesquisa científica nos jovens.

Os artigos poderiam ser soluções dos problemas ou sobre assuntos correlatos. Por fim, mais de 30 artigos foram coletados, provenientes de 9 nações diferentes. Após o envio dos artigos, cada um passou por dois ou três revisores habilitados para que, então, os artigos fossem recusados ou resubmetidos com as devidas correções. Depois das revisões, alguns artigos foram rejeitados, mas não foram muitos (a taxa de aceitação é de 89%). A previsão para a publicação é fevereiro de 2012, mas as prévias dos artigos já estão na internet, bem como edições anteriores do livro. É interessante ler alguns dos artigos que foram aceitos para se ter uma ideia de o que é um relatório para o IYPT.

Outra publicação é a IYPT Magazine, que será publicada trimestralmente com soluções dos problemas do IYPT, mais ou menos no modelo do IYPT Book. Ainda não sei nada muito claro sobre ela, mas algumas informações podem ser encontradas em seu site.

Resumo da edição nacional de 2011

A edição de 2011, ocorreu entre os dias 13 e 15 de maio. Desta vez, o intuito era selecionar o time que representaria o Brasil na edição internacional de 2011 no Irã.

O número de participantes na fase nacional aumentou de 10, em 2010, pra 18, em 2011. A cerimônia de abertura ocorreu na Escola Politécnica da USP e os PFs, na UNIP novamente. Durante a cerimônia de abertura, houve o sorteio das chaves, só que, devido ao aumento do número de PFs acontecendo simultaneamente, o número de times cabeças-de-chave foi para cinco. Todos os PFs da sala 1 foram transmitidos online pela TV WEB (totalizando 3 PFs classificatórios), sendo que ocorriam cinco PFs ao mesmo tempo em diferentes salas.

Dessa vez eu fui melhor que no ano anterior (ainda bem…), mas ainda falei algumas abobrinhas, o que eu posso fazer?…

No fim das contas, os três times que mais pontuaram foram para o PF final e todos esperaram ansiosamente (de novo) pela a cerimônia de encerramento para saber o ranking final e quais eram os times medalhistas (o número de medalhistas aumentou devido ao aumento no número de participantes).

Os medalhistas:

  1. The Inverted Arrow of Time (ouro) – apresentou problema No. 2 no PF final
  2. Gatos de Schrödinger (prata) – apresentou problema No. 5 no PF final (disse que o nome tinha melhorado de 2010 para 2011… pelo menos eu acho que melhorou…)
  3. Alfa Leonis (prata) – apresentou problema No. 3 no PF final
  4. Leviatã (prata)
  5. Zero Kelvin (Bronze)
  6. Quark S (Bronze)
  7. M42 (Bronze)
  8. Ajax (Bronze)
  9. Umidade Zero (Bronze)
  10. Lépton (Bronze)

Vídeos da cerimônia de abertura podem ser encontrados no YouTube e algumas fotos podem ser vistas no 4shared. Vale a pena também conferir o booklet de 2011 do torneio nacional, os problemas traduzidos, o regulamento de 2011 e o artigo na wikipédia com mais detalhes da edição desse ano.

No final da edição, cinco alunos (dois do 1º lugar e um dos 2º, 3º e 4º lugares) foram selecionados para a fase internacional no Irã. Segue a lista em ordem alfabética:

Informações sobre a delegação brasileira e o decorrer da fase internacional de 2011 virão em outro(os) post(s).

Algumas outras postagens que eu achei por aí sobre o IYPT Brasil 2011:

Se alguém souber de mais alguma matéria relacionada, coloque nos comentários para atualização do post.

P.S: Abaixo, uma foto do que acontece entre um dia e outro de PFs (olha que ele nem tinha dormido às 3 da manhã e acordado às 5 pra arrumar as apresentações e estudar que nem eu).

Wake up!

Resumo da edição nacional de 2010

Início da cerimônia de abertura de 2010.

Bom, esse blog começou a ser escrito no início de 2012, mas o IYPT Brasil começou a ser organizado em 2010. Logo, acho justo fazer pelo menos um post de resumo para as duas edições passadas começando por este.

A edição de 2010, excepcionalmente ocorreu no fim de 2010, entre 10 e 12 de setembro, após a fase internacional. Como pode ser deduzido, essa edição não teve o intuito de selecionar um time para representar o Brasil, mas sim de servir como prévia para as edições futuras.

Somente 10 times estavam na edição nacional de 2010. A cerimônia de abertura ocorreu na Escola Politécnica da USP e os PFs, na UNIP. Durante a cerimônia de abertura, houve o sorteio das chaves, com três times como cabeças-de-chave. Todos os PFs da sala 3 foram transmitidos online pela TV WEB (totalizando 3 PFs classificatórios), sendo essa a única sala da edição onde os PFs aconteciam somente entre três times.

Primeiro PF da sala 1.

Na minha visão, eu fui particularmente mal em comparação com a edição de 2011, falei algumas boas abobrinhas (haha, acontece com todo mundo), quer dizer, váááárias abobrinhas nessa edição, especialmente no meu segundo PF. Mas aquela era uma edição de teste, então ninguém sabia o que esperar… Aliás, isso vale para as equipes que acham que foram mal nas edições anteriores não desistirem de continuar participando no torneio, porque, buscando melhorar os pontos fracos, é possível até mesmo uma classificação para a fase internacional no ano seguinte.

No fim das contas, os três times que mais pontuaram foram para o PF final e todos esperaram ansiosamente para a cerimônia de encerramento (como sempre) para saber o ranking final e se haviam ganhado alguma medalha.

Os medalhistas:

  1. The Inverted Arrow of Time (ouro) – apresentaram problema No. 1 no PF final
  2. Quarta Dimensione Viator (prata) – apresentaram problema No. 17 no PF final
  3. Os Bósons de Gauge (prata) – apresentaram problema No. 6 no PF final
  4. Leviatã (bronze)
  5. Os Pensantes (bronze) (ok, eu sei, o nome é ridículo, concordo em número gênero e grau, mas era a minha equipe, fazer o que… o nome melhorou um pouquinho em 2011…)
  6. Ajax (bronze)

Alguns vídeos da edição de 2010 podem ser encontrados na área de multimídia no site do IYPT Brasil. Vale a pena também conferir o booklet de 2010 do torneio nacional, os problemas traduzidos, o regulamento de 2010 e o artigo na wikipédia com mais detalhes da edição desse ano.

Informações gerais e arquivos do torneio internacional

O IYPT todo ano acontece em um país diferente. Ano passado ocorreu no Irã, ano que vem será na Alemanha e está previsto que ocorrerá em Taiwan em 2013. Se você estiver interessado no torneio, pode ser que queira visitar o site oficial. Lá se pode encontrar (não vou colocar tag para todas, mas é fácil de encontrar os arquivos no site):

  • problemas oficiais;
  • regulamento atual;
  • atas das reuniões dos comitês executivo e internacional;
  • regras de conduta para os participantes;
  • estatuto oficial;
  • outras informações relacionadas.

Outro site bastante interessante é o IYPT Archive. Nesse site, há arquivos relacionados a edições passadas e futuras do IYPT, de soluções a fotos e resultados das edições mais remotas do torneio. Dá para perceber a diferença entre as edições passadas e a atual, vendo toda a evolução histórica do torneio.

Outros sites relacionados ao IYPT estão nas barras laterais do blog devidamente classificados de acordo com seu conteúdo.

IYPT Brasil 2012

Como os IYPT-maníacos já devem estar sabendo, no fim do ano passado os problemas já foram traduzidos para o português e o regulamento, bem como o calendário desta edição, já foi publicado no site do IYPT Brasil. As alterações do regulamento são poucas:

  • Como decidido no IOC Meeting em Isfahan no ano passado, o oponente passa a ter que fazer considerações finais de 1 minuto ao final da discussão;
  • Agora, o 1º lugar não leva mais duas pessoas para a internacional, mas sim uma pessoa somente. Da mesma forma, o 5º lugar passa a ter uma vaga na internacional;
  • A mesma pessoa não pode desempenhar mais do que dois papéis (entre relator, oponente e avaliador) em um mesmo PF.

As inscrições podem ser feitas pelo site do torneio nacional. Fiquem atentos aos prazos!

Post de apresentação

Bem vindos ao blog! Eu o criei para conseguir um meio de reunir todas as notícias e experiências que eu e outros participantes vivenciaram durante a participação no Torneio Internacional de Jovens Físicos (IYPT). As coisas que pretendo postar aqui são: arquivos oficiais (de sites oficiais, perceba que este site não tem qualquer conexão que seja com a organização do torneio nacional ou internacional) ; sites que possuam conteúdo relacionado a fotos, arquivos, solução, entre outros, de torneios anteriores; relatos de experiências; dicas etc. Para aqueles que nunca ouviram falar do International Young Physicists’ Tournament (IYPT), aqui vai um breve resumo.

O IYPT é uma competição para alunos de Ensino Médio sediada a cada ano em um país diferente por volta do mês de julho. Todo ano, o comitê internacional (com pelo menos um representante de cada país participante) se reúne no fim do torneio para escolher os 17 problemas que vão ser desenvolvidos por alunos (lê-se: loucos haha) durante o ano seguinte. Esses problemas têm natureza investigativa e nenhum caminho correto para solução. Eles são completamente abertos (!) e devem ser resolvidos teórica e experimentalmente de acordo com o escopo que cada um dá a cada problema num período de quase um ano. A competição se dá em apresentações realizadas pelos times participantes (um grupo de cinco estudantes para cada país) e se desenrola por meio de discussões entre diferentes times em sessões (que duram horas…) chamadas Physics Fights (PFs). Em cada discussão, há 3 ou 4 times que desempenham papel de relator (apresenta a solução), oponente (questiona o relator apontando principalmente suas falhas, mas também os pontos positivos) e avaliador (questiona ambas as equipes e apresenta sua avaliação da discussão). Em PFs com 4 equipes, há um time observador, que não desempenha papel ativo em determinada rodada. Vale lembrar também que após cada rodada, uma bancada de jurados atribui notas a cada time referente a seus respectivos desempenhos. Ao longo do PF, os times trocam de papel a cada rodada até que todos desempenhem os três papéis principais.

Cada país tem sua forma de selecionar seu próprio time. O Brasil voltou a fazer essa seleção, depois de quase quatro anos de ausência, por meio do IYPT Brasil em 2010, sendo o time de 2011 o primeiro a ser levado para fora pela nova organização. Alunos de ensino médio de todo o país podem se inscrever em grupos de 3 a 5 alunos e devem enviar cinco relatórios dentre os 17 problemas para que os melhores times sejam selecionados para a fase nacional. Essa fase ocorre em São Paulo durante um fim de semana de intensa discussão entre as equipes e é baseada no regulamento internacional, começando na noite de sexta-feira com a cerimônia de abertura e terminando com um PF final e uma cerimônia de encerramento no domingo. Um representante de cada uma das cinco melhores equipes é convidado a participar do time brasileiro na edição internacional do respectivo ano.

Bem, esse é um resumo do torneio, porém ele é cheio de outras minuncias e detalhes que podem ser encontradas no site das fases nacional e internacional.