Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 1)

AVISO: este post será grande e terá alguns de continuação. Tenha paciência quando for lê-lo (ou não o leia haha).

Eu queria ter feito isso há muuuuito tempo, mas não tinha tido paciência ainda. Aqui vai um breve (ou não) resumo sobre o IYPT do ano passado, dividido em posts.

Como já tem um post sobre como foi a preparação, vou começar do dia do voo. Passei a manhã na Paulista terminando meus últimos experimentos (sim, era o dia da viagem e não só os meus, como os problemas dos outros ainda tinham experimentos faltando oO). Meu pai foi me buscar e mostrou o que eles (meus pais e minha irmã) tinham saído na mesma manhã pra comprar pra viagem que se aproximava, incluindo os lenços que eu deveria usar enquanto estivesse no Irã, extensões, adaptadores etc. De tarde, terminei de arrumar minha mala e tirei um cochilo (basicamente não tinha dormido direito na última semana antes da viagem por causa da preparação). Era noite, a hora do voo se aproximava, eu só sei que eu nunca vi minha mãe pedi tanta comida pra mim na vida, se bem que eu não comi quase nada… No aeroporto, a gente descobriu quem seria o capitão da equipe, tiramos fotos, mas nada muito além disso.

Durante o voo, não parava de chegar refeição. Nunca vi um voo em que quatro (!) refeições completas eram servidas fora os lanches oO e tinha muita opção também de entretenimento no monitor das poltronas (alguns milhares de filmes, músicas, jogos etc), mas chegou um ponto em que eu fiquei extremamente entediada. Não era pra menos… nossas poltronas estavam todas separadas e 15 horas de voo até Dubai e mais 3 até Teerã não é pouco tempo de viagem.

Chegando em Dubai, eu tive um gostinho do que a gente viria na escala da volta ainda no aeroporto: tinha muito ouro naquele lugar, nunca vi um local com pé direito tão alto, os relógios da parede eram rolex, tinha até quiosque de caviar. Era tudo muito surreal pra ser verdade. As letras de escrita árabe se mesclavam ainda com o inglês, então tudo era meio estranho, mas nada que nos deixasse muito deslocados. Pra dizer a verdade, acho que talvez o inglês seja mais falado por lá do que o próprio árabe haha. Mas tínhamos pouco tempo por lá. Embarcamos rumo ao Irã finalmente.

Chegando a Teerã, acho que eu me toquei de que eu realmente estava viajando. O Fujii ficou esperando eu terminar de pegar meus documentos na mochila pra descer do avião e um comissário de bordo perguntou se tinha mais gente conosco (bizarro, parece que a rigidez das leis iranianas começavam a se tornar realidade). Até então, eu estava tão imersa no que eu deveria fazer, nos meus relatórios, que nem tinha parado direito pra pensar como seria a viagem em si. O cara da imigração demorou um tempinho me encarando. Estava muito quente, tudo que eu queria era tirar aquele maldito lenço e puxar as mangas da blusa de manga comprida, mas não podia. Fomos pegar as malas. Os meninos foram ao banheiro e voltaram dizendo: a privada é um poço no chão. Será que nos dormitórios seria assim também? Eu não sabia se ria de nervoso ou de tão engraçado que a situação era: mais de uma semana num local que não tem banheiro como os nossos. Que beleza!

Pegando as malas, não sabíamos o que fazer. O aeroporto não tinha sinalização e a inspeção de bagagem era extremamente precária. A única coisa que eu via era uns três homens e uma mulher coberta da cabeça aos pés ao nosso redor gritando o que parecia ser algo do tipo “passa logo!” em farsi e discutindo entre si. Contudo, assim que saímos de lá, demos de cara com nosso guia. Ele cumprimentou os meninos com um aperto de mão e as meninas com um aceno. Parecia muito amigável e educado. Foi extremamente solicito (não só naquele momento como durante toda a viagem :D).

Ele nos conduziu até um local onde estavam esperando alguns dos times. Foi aí que eu percebi: “caramba, eu realmente estou numa competição internacional!”. Cada face mais estranha (no sentido de diferente mesmo) que a outra, alguns falando em suas próprias línguas, encarando aqueles que tinham acabado de chegar (nós).

Ok, eu já estou cansada de escrever, e provavelmente você já está cansado de ler isso aqui também haha. Então, nos próximos posts, vou tentar contar detalhe a detalhe (tá, nem tudo, tem dias que não foram tão cheios de novidades e tudo mais) o que foi o torneio do ano passado enquanto eu espero novas notícias da preparação desse ano (virão em breve). Vou tentar colocar fotos e detalhes mais interessantes do que os deste post :S. Abaixo estão fotos do que foi escrito até agora (aeroporto de Guarulhos e Dubai, já que é proibido tirar fotos do aeroporto do Irã) :).

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Vídeos de Physics Fights

Se alguém me perguntasse “qual é uma boa maneira de se preparar para os Physics Fights que eu vou enfrentar?”, a minha primeira resposta seria, obviamente, “Estude!”, mas a segunda talvez fosse “assista à vídeos de PFs anteriores”.

Para aqueles que nunca presenciaram um PF na vida ou para quem quer se preparar pro que vem pela frente, assistir a PFs anteriores é algo bem interessante. Se você, além disso, quer fazer um trabalho bem feito, assista a PFs da fase internacional… apesar de eles serem bem menos “engraçados” e “irônicos” (e estarem em inglês), a estrutura de apresentação é bem interessante, os esquemas de slides, a postura de apresentação, os experimentos ao vivo etc. Além disso, a física envolvida é muito mais avançada e dá algumas ideias para futuras soluções.

Vários desses vídeos podem ser encontrados na internet, principalmente nos seguintes canais do YouTube:

Dica: não vá muito pela linha dos PFs da nacional de 2010… bastaaante coisa mudou, como o fato de que algumas equipes não faziam slides de oposição e avaliação naquele ano.

Depois eu vou ver se consigo postar no YouTube alguns trechos da final da nacional de 2011 que eu tenho no meu computador.

Bons estudos pra todos! A reunião dos IOC’s é bem no fim de julho e já saem os rascunhos dos problemas de 2013. Tá chegando! Torçam para que menos problemas de fluidos sejam aceitos pro ano que vem haha.

Primeiro encontro oficial em São Paulo (salinha!)

Com um pouco (uma semana, tsc tsc) de atraso, venho postar as fotos desse último encontro que tivemos para a preparação. Foi divertido, tivemos mais progresso no que diz respeito à parte técnica do que no último encontro, que foi mais para realizar alguns experimentos (com câmeras dignas de veneração, e hoje eu descobri isso quando finalmente fui ter paciência para fazer análise dos vídeos) e conhecer melhor o time. Ficamos todos os dias das 9:30 da manhã até mais ou menos nove da noite vendo o status das apresentações de quinta a domingo (tá, domingo a gente saiu mais cedo…). Falta muuuuuita coisa, mas muuuuita coisa mesmo. Acho que, ano passado, a gente tinha mais coisa pronta a essa altura do campeonato, apesar de eu pensar que a gente vai mais bem preparado esse ano. Mas ainda há tempo para reverter tudo isso (ainda bem oO), já que ninguém está afim de ir para Alemanha (e pra Suíça by the way, onde a gente vai ficar três dias por causa da escala o/) só para passeio… Chega disso! A gente quer MEDALHA!

Enfim, nos divertimos bastante também, não dormimos de novo, pregamos peça nos coleguinhas com a Samara (é, essa mesma, do chamado e tals) no meio da madrugada e tudo mais. Hm… discutimos aspectos burocráticos, treinamos apresentações, mas não treinamos muito os PFs, até mesmo pra evitar conflitos internos, alguns tomaram pó de guaraná etc etc etc. Acho que o único treino sério de PF ocorreu quando o pessoal da B8 resolveu fazer o papel da equipe relatora pra gente fazer a oposição. Foi engraçado haha. Era o time de Papua Nova Guiné contra equipe brasileira. Nossos avaliadores: Vignon, Hugo, Lucas, Bruno e Gustavinho. Foi um PF com direito a experimento falho ao vivo e destruição do equipamento pela equipe opositora kkkk.

Nos deram o prazo de ajeitar tudo até hoje para que nesse fim de semana seja traçado um plano formal para o progresso das nossas soluções. Eu, particularmente, estou bem preocupada com o tempo. Apesar de parecer que três problemas por pessoa em um prazo de um mês seja moleza de lidar, quando se trata da fase internacional é um tempo muuuuito curto pra fazer coisa demais, porque nenhuma beirada pode ser deixada sem aparar. Qualquer erro ou ponto faltoso por lá é punido com penalidade máxima no critério física, o que significa menos 2 pontos a partir da média 5. Problemas que, na nacional, conseguem 8 ou 9, na internacional, tiram 4 ou 5 com a maior facilidade do mundo… Matemática é essencial para tudo que você for propor, bem como a comparação de modelos teóricos e experimentais. Aliás, se alguém quiser se candidatar como voluntário pra me ajudar, estou aceitando hahaha (agora é sério, estou realmente precisando de ajuda para terminar meus relatórios).

Vamos ao que interessa: FOTOS! Aí em baixo estão algumas fotos da preparação do feriado, que ocorreu na salinha dos olímpicos da Paulista.

Vídeos das nossas apresentações, discussões etc, além de fotos em que a gente está reeealmente trabalhando estão em sigilo absoluto por enquanto. Depois de julho eu tento postá-los. Por enquanto, nos desejem sorte nesse resto de preparação!

Ah! Mais uma coisa, mais pra frente, pretendo ir colocando algumas fotos do torneio (preparação, edições nacionais e internacionais etc) na página do IYPT BR no facebook, olhem lá também!