Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 4)

Como de costume, o início do dia foi: acordar, refeitório, esperar a ala masculina do time e café da manhã. Seguimos então para o prédio da física. Era o segundo PF, tínhamos tirado notas difíceis de engolir no primeiro, mas estávamos com expectativas de melhoria no segundo.

Fomos avaliadores do problema 11 (fingerprints), apresentados pela Croácia, e opositores do problema 16 (smoke stream), apresentado por Taiwan. Até aí, nossa raiva pelo júri só tendia a aumentar. Veio então a nossa apresentação: problema 1 – adhesive tape. Eu disse: a fita adesiva no pão no dia anterior era um aviso haha. Ok, ouvir que você levou um três porque puxou uma fita adesiva pelo meio (o que, aliás, era pra garantir o controle de parâmetros experimentais) e não pelos cantos é… ridiculamente revoltante (!), principalmente depois de todo o trabalho que foi feito. Mas uma coisa me consola: as piores notas vieram dos jurados locais, que nunca tinham entrado em contato com o IYPT (pra variar um pouco… porque parece que em todas as salas foi assim) e alguns dos próprios concorrentes manifestaram discordância com as notas tãão baixas que tiramos.

Saímos da sala, revoltados e decepcionados ao mesmo tempo. O fato era: dois PFs com notas baixas seguidos é muito pra uma única equipe. Na nacional, nossas performances costumavam tirar ente 8 e 10, o que, por sinal, nos fez ir para a internacional. Aquelas notas não refletiam aquilo ao que estávamos acostumados. Os PFs na internacional costumam só ser tranquilos no final mesmo, quando os times se misturam pra parabenizações, fotos, troca de ideias, xingar o juri (haha) etc.

Passou-se o almoço, fomos para o ônibus: teríamos o primeiro passeio do torneio. Eu e a Julliana tivemos a sorte de estar mais próximas ao nosso alojamento, poder trocar de roupa e deixar nossos computadores nos quartos. Os meninos já não tiveram essa sorte, tendo que ir de uniforme e computador nas costas mesmo. Até cogitaram ir dormir em vez de passear, mas não foi o que aconteceu. Iríamos ao Saad Abad Palace. O Michael (guia) foi bem sincero nessa parte: disse que não sabia nada sobre o local, mas imprimiu a página da Wikipédia sobre ele e nos entregou haha. Chegando lá, andamos pelo local, onde via-se muito verde. Nosso guia nos disse também que a estátua que estava bem na entrada era de um cara que, segundo a lenda, lançou a flecha em uma aposta (ou guerra…. não lembro direito) e, no local onde ela caiu, foram definidas as fronteiras do Irã. Nós também fomos a alguns museus lá dentro. Dentre eles, o único a que não fomos foi o que o Michael chamou de “museu da cozinha, vocês não querem entrar lá, querem?” (estava muito lotado, não estávamos muito afim mesmo… todo mundo estava muito cansado), mas o outro guia acabou com a graça dizendo que não era a “cozinha”, era a “cozinha real”. O pessoal comprou sorvete, a gente tirou uma foto que parecia capa de CD de Rap (sem comentários) e, ao sair, o guia ainda nos levou de carro por incríveis 100 ou 200 m até o ônibus (beleza, foi desnecessário, mas estava muito quente anyway).

Fomos então a uma montanha de onde dava pra ver Teerã por completo. Lá, havia algumas lanchonetes. Infelizmente não havia trocado meu dinheiro ainda, então não pude aproveitar a única oportunidade de comer algo decente… Alguns iranianos ficaram meio que “fazendo festa” com a nossa bandeira do brasil do tamanho de um lençol e umas moças pareciam bem entretidas com isso também, acho que estavam comemorando o aniversário de alguma delas. Lá também havia um estranho cinema 5D (uma espécie de trailer com uma placa do gênero em cima, achei suspeito…) e “patinetes automáticos”. Mas o que mais impressionou foi o enorme buraco no chão do ônibus que nos levou ao topo da montanha, que deixava passar o calor do motor, quase queimando minha perna (segundo o pessoal aqui em casa, queriam imitar os carros dos Flintstones). Além disso, o Michael (nosso guia) falou o que ele fazia naquele local de vez em quando e um menino da Suécia veio falar com ele que, como os pais eram libaneses, ele conseguia entender algumas coisas que lia em persa, apesar de ele saber falar árabe. Acho que foi isso que aconteceu por lá.

Na volta, eu dei uma cochilada enorme no ônibus, o que não foi de todo o mal. Comemos o de sempre (Kebab), quer dizer, eu não comi, no refeitório e fomos aos dormitórios. Acho que foi nesse dia que recebemos visitas de quase todas as meninas nos quartos, mas acredito que algumas delas não vão querer que isso seja publicado… Enfim, no fim das contas, o jeito era dormir, porque no dia seguinte teríamos não um, mas dois Physics Fights.

 

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