Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 7)

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Acabei de perceber que o IYPT na Alemanha já tinha passado e os relatos sobre o IYPT no Irã ainda não estavam completos. Neste post, será feito o relato sore os últimos dois dias em Teerã.

27 de julho de 2011, “hoje é dia de tirar fotos”, ouvimos do nosso líder de equipe. Após serem liberados os resultados finais para a maioria dos times, sabíamos que não tínhamos ganhado a tão esperada medalha e que três times estavam na final. Nosso guia nos deixou na mão de um amigo pois aparentemente a noite de sono não tinha sido muito boa. Andando pelas ruas, quase que a turma de cerca de 300 estrangeiros em que estávamos teve as câmeras pegas pela polícia local por tirar fotos do que parecia ser um prédio do governo, o que era perceptível pela imagem onipresente do Aiatolá Khomeini sempre estampada em prédios públicos.

Quase presos por uma foto...

Quase presos por uma foto…

O dia era de passeio, passamos pelo Golestan Palace, certamente um dos locais mais bonitos da viagem, com salas totalmente encravadas em cristal e fotos da monarquia existente no Irã antes da revolução da década de 70. A riqueza do local era admirável: os vitrais coloridos para espantar mosquitos, as escadarias, os lustres e os jardins.

Entrance of Golestan Palace

Entrance of Golestan Palace

Saindo de lá, visitamos as ruínas da primeira universidade iraniana, fomos a um restaurante persa comer dos temperos locais (kebab “pra variar” um pouco com um iogurte aguado com menta que chamava “dô” ou algo do gênero), passamos pelo trânsito “pouco” (só que não) caótico de Teerã (já viu trânsito indiano na TV? Então, é igual) e vimos o “jeito iraniano de estacionar” (tinha carro na calçada, em local proibido, enfim, em qualquer canto).

Iranian way of parking

Iranian way of parking

Seguimos para um museu de arqueologia, onde se podia ver até mesmo uma réplica da parede de Persépolis, aliás, era um museu basicamente sobre história da Pérsia. Na frente desse museu que foi tirada uma foto com a maior parte dos participantes do torneio.

Foto geral na porta do museu

Foto geral na porta do museu

Depois, passamos por algumas lojas. Entre elas, uma só com castanhas, doces e temperos persas (açafrão e frutas secas era o que não faltava). Chegando na Amirkabir University of Technology, rolou uma partida de futebol Brasil versus resto do mundo (lógico, a gente ganhou junto com os agregados do nosso time e só a Julliana jogou dentre as meninas; eu não aguentei 5 minutos com roupa social e véu) que chamou até que bastante atenção, já que o futebol brasileiro parece fazer bastante sucesso por lá. Ao entrar no alojamento feminino, lá estava a única menina do time coreano, eles tinham se preparado a tarde inteira, e foi aí que descobrimos quais eram os problemas a serem apresentados na final do dia seguinte.

Futebol: Brasil x Mundo

Futebol: Brasil x Mundo

Então fomos, mesmo que desfalcados, já que teve gente que preferiu ficar na universidade, a um restaurante (persa de novo…) com nosso guia. Nos separamos em dois táxis e foi um pouco confuso. Estávamos sem comunicação, sem saber falar um nada de farsi/persa e um dos táxis se perdeu do nosso e do nosso guia. Ficamos esperando à porta do restaurante. Foi aí que eu vi pela primeira vez uma moto carregando 4 pessoas ao mesmo tempo (O.o) e tive a confirmação de que lá os ônibus são separados em duas áreas: uma pra homens e outra pra mulheres. Segundo nosso guia, isso é um pouco complicado se você estiver passeando com algum parente ou amigo do sexo oposto.

28 de julho de 2011, dia da grande final. Coreia apresentou o problema 7 (cup drum), Áustria ficou com o problema 8 (domino amplifier) e restou para a Alemanha apresentar o problema 5 (car), o mais popular da competição por sinal (todas as rodadas tiveram ao menos uma apresentação desse problema). A apresentação coreana foi com certeza o melhor relatório que eu já vi ao vivo em um Physics Fight, foi incrível, impecável, com física inquestionável e retórica impressionante. Logo, a vitória coreana foi certamente merecida em 2011. Mas o que mais surpreendeu foram as considerações finais inesperadas e perfeitas (05:34 no vídeo) feitas pelo único time oriental na final do ano passado.

Apresentação coreana

Apresentação coreana

Logo em seguida veio a cerimônia de encerramento. Era pra ela ser as 4 da tarde, então parte do nosso time tinha até saído da universidade por um tempo. Porém, a organização foi um pouco complicada e, devido à presença de autoridades locais, o encerramento foi adiantado em várias horas. Estátuas foram distribuídas às autoridades, times foram chamados pra receber medalhas erradas, confusão armada, mas todo mundo recebeu as devidas medalhas no fim das contas. Depois fomos a uma exposição de pôsters, que inicialmente tinha sido cancelada mas que foi feita às pressas com as soluções de alguns times.

Medalhistas de ouro

Medalhistas de ouro

No fim do dia, houve um coquetel de despedida geral e uma festinha no alojamento feminino organizado por uma das estudantes da universidade. No dia seguinte iríamos para Isfahan, uma das cidades mais bonitas do Irã, mas isso é assunto pra um post sore as viagens pós-torneio que fazem parte da viagem de todos os anos. Então fomos para Dubai, o que já foi falado em outro post (só que, detalhe: fomos na época do Ramadã, o que não foi uma surpresa muito legal por a gente não poder nem beber água em público, nos perdemos também, mas no fim das contas a viagem foi muito divertida!).

Por aqui terminam os relatos das peripécias do time brasileiro de 2011 em Teerã. Até a próxima!

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