A história por trás de um time que fez história

Lá se vai o 7º ano em que o Brasil participa do IYPT. Nossa colocação? 7ª! A melhor da história do Brasil, com uma prata inédita! Isso é só a confirmação de que o Brasil vai ganhando cada vez mais espaço, que ano após ano, time após time, a imagem do Brasil vai melhorando com o comitê internacional, o júri se tornando cada vez mais imparcial e, assim, nossa nação vai galgando as posições que lhes são de justiça desde o início pelo nível de preparação que as equipes do Brasil mantiveram pelo menos nos últimos dois anos em comparação com os times então presentes no mundial.

Este post é sim um post comemorativo (afinal de contas, é praaaaaata!!!!), mas, antes de mais nada, é um post que pretende relembrar a história de equipes que na verdade até hoje são um time só (que só cresce com os anos) e que fez história na madrugada de ontem. 🙂

2004 – 2007: Quando tudo começou

Tudo começou em 2004. O IYPT então surgia no Brasil. Naquele ano, participaram do IYPT Brasil aqueles que hoje são seus organizadores, os integrantes da B8 Projetos, o que prova que o IYPT nada mais é que uma paixão para uma vida inteira.

Do lado esquerdo da foto: Thiago Serra, Márcio Martino e Victor Ando.

Do lado esquerdo da foto: Thiago Serra, Márcio Martino e Victor Ando.

Na época, o IYPT era organizado no Brasil pelo Ozimar Pereira. Problemas à parte, quem está familiarizado com a história da IJSO 2006 deve ter noção do porquê de o IYPT ter parado de ser organizado no Brasil no ano seguinte.

Nessa época, o Brasil também teve seu período de glória na fase internacional. Começamos em 2004. Inexperientes, terminamos em 15º dentre os 24 países participantes naquela edição na Austrália. O importante era que o Brasil dava sua cara a tapa e fazia sua primeira aparição. Veja aqui mais informações sobre o time de 2004.

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Time de 2004: Aron Heleodoro, Diogo Rodrigues Bercito, Emanuelle Roberta da Silva, Luiza Almeida Aoki e Victor de Andrade Lazarte.

Chegou então 2005. Com um time forte e experiente (dois dos participantes da edição anterior voltavam para reforçar a equipe: Diogo e Emanuelle). Então o Brasil conseguiu, na Suíça, sua primeira medalha na competição internacional, também com a 7ª posição repetida na madrugada de ontem, porém entre 24 países, o que era assim considerado uma medalha de bronze. Veja aqui mais informações sobre o time de 2005.

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Time de 2005: Daniel Nogueira Meirelles de Souza, Diogo Rodrigues Bercito, Emanuelle Roberta da Silva, Juliana Ogassavara e Marcelo Puppo Bigarella.

Depois de um ano, o time brasileiro voltava inteiramente renovado para a competição, que desta vez seria na Eslováquia. A princípio, um dos integrantes da equipe anterior, Daniel Meirelles, havia sido selecionado novamente na competição nacional para representar o Brasil, mas não pôde participar por motivos pessoais. Mesmo assim, em 2006, quando os problemas da organização antiga já começavam a aparecer, o Brasil ficava em 13ª colocação entre as 24 nações presentes, o que nos garantia mais uma suada e honrada medalha de bronze. Confira mais informações a respeito da equipe de 2006.

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Time de 2006: Daniel Fernando Pinto, Felipe Vignon de Castro Rios, Luciano Xavier Pereira, Marcos Cardoso Ramos e Pedro Lisbão.

Então veio 2007, o último ano em que o Brasil participou do IYPT antes de seu retorno. O Brasil, então, caiu algumas posições no ranking e assim, na edição que se realizou na Coreia do Sul, figurou em 17º de 21 países participantes, sem trazer medalha. Vale lembrar que cada ano é um ano. Às vezes as equipes mais tradicionais (e a do Brasil) voltam mais fortes, às vezes mais fracas, e isso pode fazer com que o Brasil caia ou suba algumas posições. De qualquer forma, esta foi a última equipe a figurar no cenário do IYPT até 2011. Confira aqui mais informações sobre a equipe de 2007.

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Time de 2007: Caio Costa Perona, Camilla Matias Morais, Diego Peres Alonso, Kenji Ahualle Horimoto e Luis Gustavo Costa Velani.

Provando que não dá para esquecer o IYPT, hoje, boa parte dos ex-participantes dessa época se tornaram jurados da fase nacional desde 2010: Diogo Bercito, Emanuelle da Silva, Victor Lazarte, Daniel Fernando, Felipe Vignon (que chegou até mesmo a ser orientador na preparação das equipes de 2011 e 2012), Camilla Morais, Luís Gustavo Velani, entre outros.

2010: O retorno do IYPT Brasil

Após três anos de hiato, a B8 começou a reorganizar a fase nacional aqui no país, o IYPT Brasil. Segundo as palavras do próprio Márcio no encerramento da competição, o torneio nacional de 2010 foi “uma edição beta”. Isso porque a nacional voltava a ser reorganizada no Brasil como uma espécie de teste, já que teve sua realização no início do segundo semestre e não selecionou nenhum time para a fase internacional do IYPT.

Primeiro PF da sala 1.

Primeiro PF da sala 1.

2011: O Brasil volta ao torneio internacional

Passada a edição nacional de 2010, a de 2011 seria para valer. Depois de quatro anos sem participar do IYPT, o Brasil selecionaria uma equipe para mandar para a edição que seria realizada no Irã. O IYPT Brasil 2011 teve seus pontos épicos e acho que todos devem se perguntar até hoje se “chama é plasma” haha (quem estava lá, vai entender). A equipe do colégio Mater Amábilis se sagrava campeã mais uma vez e, diferentemente do que aconteceria nos anos seguintes, dois integrantes do 1º lugar comporiam a equipe brasileira (com outros três do 2º ao 4º lugar), em vez de somente um.

Afinal, chama é plasma? hahaha

Afinal, chama é plasma? hahaha

E, assim, formou-se a equipe que representou o Brasil no Irã. Ainda inexperiente, em meio a problemas de equipe e muitos outros gerados por conta da organização local, fora a imensa parcialidade por parte do júri (algumas vezes chegava a parecer que eles sequer estavam prestando atenção nas apresentações do Brasil, porque um 4 de nota era garantido independente de qualquer coisa), o time ainda conseguiu retornar com a 15ª colocação (mesma da primeira aparição do Brasil no torneio) em meio aos 21 países participantes (houve uma queda neste número devido à problemas diplomáticos do Irã com outras nações). Assim, voltamos para casa com muita bagagem cultural, mas sem medalha. Veja aqui mais informações a respeito da equipe de 2011.

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Time de 2011: Bárbara Cruvinel Santiago, Danilo Moreira Simões, Julliana dos Santos Frassei, Lucas Henrique Morais e Mateus Braga de Carvalho.

2012: Brasil volta a receber medalha e ao top 10 mundial após 7 anos

O IYPT Brasil 2012 foi tão peculiar quanto o de 2011. Quem não se lembra de “a culpa é sua!” ou “desculpa, é que eu sou gago” haha. Além disso, a nacional mudou suas regras de seleção naquele ano: uma pessoa de cada um dos 5 primeiros times comporia o time brasileiro, o que foi muito importante, já que mesmo o 5º lugar levou dois dos melhores problemas resolvidos pelo Brasil em 2012. 🙂

Nunca os próprios participantes riram tanto de si mesmos na final do IYPT Brasil. 🙂

E assim se formou uma equipe brasileira forte como jamais havia se visto. A equipe que pôs o Brasil de volta entre os melhores do mundo! O país já estava mais experiente; havia uma integrante do ano anterior voltando, a Bárbara, e a equipe num geral estava bastante renovada. Em termos de idade, algo ainda mais curioso: 3 dos 5 participantes de 2012 estavam no 2º ano do colegial ainda. Foi também o primeiro ano em que levamos o Hugo, o mascote da equipe nacional.

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Time de 2012: Bárbara Cruvinel Santiago, Guilherme Ribeiro Moreira, Ibraim Rebouças, João Gabriel Faria e Miranda e Liara Guinsberg.

Pois bem, a edição de 2012, na Alemanha, foi aquela em que mais equipes participaram do IYPT (28 países), sendo um ano histórico para o Brasil: o time brasileiro tirou seu primeiro 10 da história, chegou pela primeira vez em 5º lugar nos rankings parciais, ficou pela primeira vez na zona de premiação de medalha de prata por algumas rodadas e, depois de 7 anos, conseguiu voltar ao top 10 mundial, garantindo a medalha de bronze mais bem colocada até então (10º de 28) e, mais do que isso, mostrando ao comitê internacional que não estávamos voltando para brincar. Como nada é perfeito, tínhamos nos mantido na zona da prata até o último PF, até que influências políticas prevaleceram e enfrentamos um júri totalmente parcial (confira algumas das informações a respeito desses acontecimentos em um post antigo da Liara) e, assim, tivemos nossa prata levada embora (mas… tudo tem sua vingança haha, continue lendo). Veja mais informações a respeito da equipe de 2012.

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Time completo (membros, líderes, guia, visitante e mascote) logo após a cerimônia de premiação.

2013: Brasil é premiado com prata inédita

Em 2013, uma coisa era fato: a equipe brasileira do ano anterior não havia ficado nada contente com os pontos (e prata) roubados na última rodada e queria revanche. Pois ela veio…. O IYPT Brasil 2013 foi bastante interessante; as equipes que participavam da nacional desde 2010 já haviam se formado no ensino médio, deixando espaço para muitas caras novas. Dos três medalhistas internacionais que podiam voltar como membros, o Guilherme (ou Gago, como queira) voltou como “professor” líder de equipe por questões pessoais; o Ibraim retornou conquistando o 1º lugar com uma excelente apresentação do problema 7 (que por acaso foi usada pelo time brasileiro no 1º PF de Taiwan), mas, acatando um acordo feito no ano anterior, deixou que outro integrante de seu time fizesse parte da equipe brasileira em 2013; a Liara voltou também, com uma apresentação linda do sóliton na final e sendo parte extremamente fundamental para o sucesso da equipe brasileira deste ano.

Discussão entre Liara e Ibraim.

Discussão entre Liara e Ibraim.

Lembra que a equipe brasileira do ano passado estava meio nervosa com a história prata/bronze? Pois então, era questão de honra ganhar a prata em 2013. Todos os integrantes da equipe de 2012 estiveram presentes para que a preparação da equipe de 2013 fosse a mais bem-sucedida possível. De maneira curiosa, a equipe de 2013 teve exatamente a mesma configuração de 2012: dois de São Paulo, um de Santos, um de São José dos Campos e um de Teresina. A equipe voltou com nível semelhante de preparação e com 2 anos de time brasileiro de experiência acumulados na bagagem.

Time de 2013: Amanda Maria Marciano Leite Oliveira, Denise Sacramento Christovam, Gabriel Demetrius Bertoldo da Silva, Liara Guinsberg e Vitor Melo Rebelo.

Time de 2013: Amanda Maria Marciano Leite Oliveira, Denise Sacramento Christovam, Gabriel Demetrius Bertoldo da Silva, Liara Guinsberg e Vitor Melo Rebelo.

Foi assim que rodada após rodada, o time brasileiro foi galgando posições, repetiu a melhor classificação parcial conseguida em 2012 (5º lugar), manteve-se na zona da prata por mais tempo e voilá! É prata! É prata! A madrugada da última rodada foi eletrizante aqui do Brasil. Devido ao fuso, ficamos todos acordados até por volta das 3 da manhã atualizando informações do último fight, traçando estratégias, nos comunicando com quem estava por lá para conseguir qualquer tipo de informação e calculando excessivamente as médias das outras salas, porque qualquer décimo podia nos levar a prata embora de novo. Quem acha que final de copa do mundo é emocionante nunca ficou “dando F5” na página de resultados do IYPT. O Brasil repetiu, assim, sua melhor colocação em posição final, ficando em 7º de 26 nações, deixando 19 países para trás (ultrapassando o recorde de 18 países de 2012) e garantindo nossa sonhada medalha de prata. Uma página do time de 2013 será montada em breve. 🙂

Líderes, mascote e membros do time logo após a premiação.

Líderes, mascote e membros do time logo após a premiação.

2014: Que tal um ouro?

Chegando ao fim do post, só uma coisa a dizer: agora o time tem 3 anos de experiência, muito mais ex-participantes da internacional para ajudar na preparação e uma boa imagem perante o comitê internacional esculpida nos últimos anos… Que tal um ouro em 2014? Vamos todos colaborar pelo time do Brasil na final? 🙂

As viagens pós-torneio: Stuttgart (2012) e Isfahan (2011)

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Todo ano, após os dias do torneio propriamente dito, há uma viagem de dois dias organizada pelo comitê local para alguma outra cidade do país sede. Esses dois dias servem para passear, relaxar e, por ventura, entrar mais em contato com outros times. Pois é, quando a viagem vai ficando boa, ela termina… São nesses dois dias também que há reuniões do IOC pra decidir os tão esperados 17 problemas de cada ano.

Stuttgart (IYPT 2012):

Cidade conhecida por ser pólo automobilístico da Alemanha, saindo da pequena cidade interiorana de Bad Saulagu, Stuttgart foi o destino das jovens mentes de quase 30 países do mundo este ano nos dois últimos dias de viagem na Alemanha.

Sair do campus da escola japonesa com seu cheiro de madeira molhada (resultado de muita chuva e das infinitas árvores no local) não foi muito divertido; Bad Saulgau tinha nos recebido muito bem. O IYPT deste ano nos marcou com histórias profundas e pelo ambiente do torneio. Na hora de partir, juntamos as diversas garrafas (de água com gás) que foram juntadas em todos os quartos do alojamento ao longo da semana de competição, pegamos os ônibus designados a cada um dos times e seguimos para Stuttgart. Lá, os times foram separados em dois hostels. Amizades recém-formadas ficaram divididas entre os dois albergues nos últimos dias de viagem para que todos pudessem se acomodar, mas são consequências de um grande evento.

No primeiro dia, logo ao chegar, deixamos nossas malas, e rumamos à sede mundial da Daimler-Mercedes Benz, uma das patrocinadoras do torneio, onde fomos recebidos com uma palestra, tour e almoço especialmente designado aos participantes do IYPT. Gente querendo tirar fotos com os super carros da Mercedes foi o que não faltou haha.

Capa da apresentação inicial

Capa da apresentação inicial

As duas noites que passamos no International Youth Hostel foram bem gastas próximas a máquinas de sorvete e refrigerante usando Wi-Fi no primeiro piso, conversando via Skype com o pessoal aqui no Brasil e trocando ideia (e danças típicas) com integrantes do time da Bulgária.

Benditas máquinas de sorvete que acabaram com a nossa grana aos poucos

Benditas máquinas de sorvete que acabaram com a nossa grana aos poucos

No dia seguinte, fomos ao museu da Mercedes enquanto o IOC se reunia. Depois, abandonados por nossos guias no meio da chuva em Stuttgart com parte do time da Bulgária pra achar uma forma de voltar ao hotel. Acabamos sem encontrar uma estação de metrô funcionando que fosse e nos salvando porque a menina da Bulgária falava alemão. Caímos no hotel dos outros times, mas antes conseguimos um Burger King por perto. No fim das contas, conseguimos pegar metrô, nos perder por Stuttgart, tirar fotos legais e voltar pro hotel. Ficamos esperando o Thiagão, mas aparentemente o IOC estava muito indeciso quanto aos nomes dos problemas e a reunião só acabou de noite.

Perdidos em Stuttgart

Perdidos em Stuttgart

Saímos por Stuttgart pelos principais pontos (apesar de tudo já estar fechado quase), passamos no meio de uma parada gay e acabamos por acaso no mesmo restaurante em que estava o time suíço apesar de longe de ambos os hostels.

Praça central

Praça central

A noite terminou de maneira semelhante à noite anterior, mas com a gente dando um chapéu do time brasileiro e, hm… outras coisas mais, enfim, era a última noite na Alemanha, não era muito divertido pensar nisso.

Último dia, o Ferdinand nos levou até a estação de trem, nos auxiliou com os táxis, malas e tickets, fomos ao aeroporto e rumamos à Suíça, onde passaríamos os cinco dias seguintes (com direito a atraso no voo e problemas consequentes disso e tudo mais).

Assim, melancolicamente, terminou o último e mais divertido IYPT da história.

Isfahan (IYPT 2011):

Madrugada do do dia 29 de julho de 2011. Acordadas com a queda e conseguinte volta da energia elétrica, as meninas foram acordadas no alojamento feminino em Teerã, no único IYPT da história em que os times mistos foram separados por causa das leis locais. Todas se ajeitaram e desceram as escadas com suas grandes malas pesadas. Esperamos as portas serem abertas para a escuridão em que o dia ainda estava e chegamos à frente do prédio da física, onde nos entregaram os certificados e esperamos o ônibus que nos levaria para o mesmo local da universidade onde estavam os meninos. Então, seguimos para Isfahan.

À frente do prédio da física

À frente do prédio da física

Depois da confusão de troca de ônibus, pegamos a estrada desértica para a uma daquelas cidades que você vê nos livros de história da Pérsia ou em aulas de história da arte na escola. Paramos em um posto, tomamos café da manhã, voltamos ao ônibus, paramos em um local estranho e finalmente chegamos a Isfahan.

Estrada para Isfahan

Estrada para Isfahan

Na porta do hotel: confusão! Passaportes de times foram perdidos, falta de vagas para todos os times (sendo alguns transferidos para um hotel próximo), meninos e meninas sendo colocados nos mesmos quartos contra as leis iranianas (por esse último eu pessoalmente fui afetada, o que me resultou em uma noite dormindo em um tapete persa em um quarto de meninas de outra equipe, mas isso é detalhe que foi resolvido depois de muita briga à 1:30 da manhã) e coisas afins. Fomos, primeiramente, a um local que, guardadas as devidas proporções, comparamos ao Taj Mahal.

Guardadas as devidas proporções

Guardadas as devidas proporções…

Depois fomos a ponte de Isfahan. Um local por onde usualmente passa um rio razoavelmente profundo, mas que fica completamente seco no verão iraniano. Lá alguns meninos do nosso time foram parados por pessoas um pouco maníacas (haha), mas isso é oooutra história também.

Ponte de Isfahan

Ponte de Isfahan

Fomos, assim, parar na Naghsh-e Jahan Square, um dos locais mais bonitos que vimos durante a viagem. Com suas mesquitas históricas, ela tinha um grande jardim ao centro com bazares a sua volta. Nos bazares era possível presenciar a confecção de tapetes persas e artesanatos em geral, como as típicas caixinhas decoradas com mosaicos e pratos de cobre pintados com tinta azul.

Naghsh-e Jahan Square

Naghsh-e Jahan Square

Depois de um dos integrantes se perder e nosso líder ficar na praça o procurando na praça lotada, à noite, chegamos ao hotel, onde nos deparamos novamente com o problema dos quartos. A reunião do IOC foi adiada pela segunda vez e seria somente na manhã seguinte.

Manhã do dia seguinte, os times foram levados a Naghsh-e Jahan Square novamente enquanto os líderes de equipe se reuniram no hotel Safavi para decidir os tão esperados problemas (ainda bem que este ano eles já tinham sido pré-selecionados, menos trabalho, menos correria e menos confusão). Então tivemos problemas na saída do hotel, fomos levados para Teerã. No meio da volta ao aeroporto de Teerã, andamos de marcha ré por quase 1 km, paramos em Kashan e depois em um posto pra comer um “fast food” iraniano (ou seja lá o que aquilo for), ouvíamos a frase “hurry up” várias vezes e chegamos ao aeroporto.

Foto única do aeroporto (mais uma e... risco de prisão)

Foto única do aeroporto (mais uma e… risco de prisão)

Ao contrário da separação que sofremos na Alemanha este ano, em 2011 a saída foi cheia de despedidas tristes; apesar de toda a confusão, o IYPT 2011 deixou saudades. Passamos cerca de 7 horas conversando com outro time no aeroporto. Entramos para a sala de embarque e seguimos para Dubai, onde passamos os 3 dias seguintes em meio ao Ramadã. Definitivamente, o IYPT 2011 foi uma experiência estranha, mas divertida e única.

Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 7)

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Acabei de perceber que o IYPT na Alemanha já tinha passado e os relatos sobre o IYPT no Irã ainda não estavam completos. Neste post, será feito o relato sore os últimos dois dias em Teerã.

27 de julho de 2011, “hoje é dia de tirar fotos”, ouvimos do nosso líder de equipe. Após serem liberados os resultados finais para a maioria dos times, sabíamos que não tínhamos ganhado a tão esperada medalha e que três times estavam na final. Nosso guia nos deixou na mão de um amigo pois aparentemente a noite de sono não tinha sido muito boa. Andando pelas ruas, quase que a turma de cerca de 300 estrangeiros em que estávamos teve as câmeras pegas pela polícia local por tirar fotos do que parecia ser um prédio do governo, o que era perceptível pela imagem onipresente do Aiatolá Khomeini sempre estampada em prédios públicos.

Quase presos por uma foto...

Quase presos por uma foto…

O dia era de passeio, passamos pelo Golestan Palace, certamente um dos locais mais bonitos da viagem, com salas totalmente encravadas em cristal e fotos da monarquia existente no Irã antes da revolução da década de 70. A riqueza do local era admirável: os vitrais coloridos para espantar mosquitos, as escadarias, os lustres e os jardins.

Entrance of Golestan Palace

Entrance of Golestan Palace

Saindo de lá, visitamos as ruínas da primeira universidade iraniana, fomos a um restaurante persa comer dos temperos locais (kebab “pra variar” um pouco com um iogurte aguado com menta que chamava “dô” ou algo do gênero), passamos pelo trânsito “pouco” (só que não) caótico de Teerã (já viu trânsito indiano na TV? Então, é igual) e vimos o “jeito iraniano de estacionar” (tinha carro na calçada, em local proibido, enfim, em qualquer canto).

Iranian way of parking

Iranian way of parking

Seguimos para um museu de arqueologia, onde se podia ver até mesmo uma réplica da parede de Persépolis, aliás, era um museu basicamente sobre história da Pérsia. Na frente desse museu que foi tirada uma foto com a maior parte dos participantes do torneio.

Foto geral na porta do museu

Foto geral na porta do museu

Depois, passamos por algumas lojas. Entre elas, uma só com castanhas, doces e temperos persas (açafrão e frutas secas era o que não faltava). Chegando na Amirkabir University of Technology, rolou uma partida de futebol Brasil versus resto do mundo (lógico, a gente ganhou junto com os agregados do nosso time e só a Julliana jogou dentre as meninas; eu não aguentei 5 minutos com roupa social e véu) que chamou até que bastante atenção, já que o futebol brasileiro parece fazer bastante sucesso por lá. Ao entrar no alojamento feminino, lá estava a única menina do time coreano, eles tinham se preparado a tarde inteira, e foi aí que descobrimos quais eram os problemas a serem apresentados na final do dia seguinte.

Futebol: Brasil x Mundo

Futebol: Brasil x Mundo

Então fomos, mesmo que desfalcados, já que teve gente que preferiu ficar na universidade, a um restaurante (persa de novo…) com nosso guia. Nos separamos em dois táxis e foi um pouco confuso. Estávamos sem comunicação, sem saber falar um nada de farsi/persa e um dos táxis se perdeu do nosso e do nosso guia. Ficamos esperando à porta do restaurante. Foi aí que eu vi pela primeira vez uma moto carregando 4 pessoas ao mesmo tempo (O.o) e tive a confirmação de que lá os ônibus são separados em duas áreas: uma pra homens e outra pra mulheres. Segundo nosso guia, isso é um pouco complicado se você estiver passeando com algum parente ou amigo do sexo oposto.

28 de julho de 2011, dia da grande final. Coreia apresentou o problema 7 (cup drum), Áustria ficou com o problema 8 (domino amplifier) e restou para a Alemanha apresentar o problema 5 (car), o mais popular da competição por sinal (todas as rodadas tiveram ao menos uma apresentação desse problema). A apresentação coreana foi com certeza o melhor relatório que eu já vi ao vivo em um Physics Fight, foi incrível, impecável, com física inquestionável e retórica impressionante. Logo, a vitória coreana foi certamente merecida em 2011. Mas o que mais surpreendeu foram as considerações finais inesperadas e perfeitas (05:34 no vídeo) feitas pelo único time oriental na final do ano passado.

Apresentação coreana

Apresentação coreana

Logo em seguida veio a cerimônia de encerramento. Era pra ela ser as 4 da tarde, então parte do nosso time tinha até saído da universidade por um tempo. Porém, a organização foi um pouco complicada e, devido à presença de autoridades locais, o encerramento foi adiantado em várias horas. Estátuas foram distribuídas às autoridades, times foram chamados pra receber medalhas erradas, confusão armada, mas todo mundo recebeu as devidas medalhas no fim das contas. Depois fomos a uma exposição de pôsters, que inicialmente tinha sido cancelada mas que foi feita às pressas com as soluções de alguns times.

Medalhistas de ouro

Medalhistas de ouro

No fim do dia, houve um coquetel de despedida geral e uma festinha no alojamento feminino organizado por uma das estudantes da universidade. No dia seguinte iríamos para Isfahan, uma das cidades mais bonitas do Irã, mas isso é assunto pra um post sore as viagens pós-torneio que fazem parte da viagem de todos os anos. Então fomos para Dubai, o que já foi falado em outro post (só que, detalhe: fomos na época do Ramadã, o que não foi uma surpresa muito legal por a gente não poder nem beber água em público, nos perdemos também, mas no fim das contas a viagem foi muito divertida!).

Por aqui terminam os relatos das peripécias do time brasileiro de 2011 em Teerã. Até a próxima!

Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 6)

Era o último dia de PF. Já não estávamos confiantes. O PF seria contra Ucrânia e Bulgária. O presidente do juri seria o Ilya Martchenko. Só poderíamos apresentar o 5 e o 11 (como descobrimos depois) e tínhamos vários que teríamos que recusar e perder nota caso propusessem. Isso tudo foi desesperador. Com um pouco de sorte, desafiaram o 11 como segundo ou terceiro problema e não recusamos além do permitido.

O projetor estava estragado, não deu pra ver nada dos slides do Lucas. Depois disso tivemos a oposição do Mateus ao problema 3 (bouncing flame) com a incrível discussão de “chama é ou não é plasma” pra quem lembra disso na nacional hahaha, por causa de estrelas azuis que o cara disse que eram de plasma, que não seriam visíveis segundo ele etc etc etc, looonga história. Por fim, o Lucas fez avaliação do problema 7 (cup drum). O pessoal de um dos times (não vou citar qual deles) estava meio estressado, batendo na mesa e gritando no meio da discussão oO. Ok… Fim do PF, acho que todo mundo saiu decepcionado e tudo mais com o resultado, mas não tinha mais jeito. Era o segundo PF que ganhávamos (tínhamos ganho o anterior), mas as notas estavam baixas; logo, não fazia diferença mesmo… O Mateus conversou com o Ilya enquanto a Julliana aprendia números em farsi com a Shiva, depois nós conversamos um pouco sobre educação e assuntos variados com o líder da Bulgária e um menino do time deles. Seguimos para o refeitório.

Do refeitório, fomos a um passeio. Primeiro fomos a casa que era do Aiatolá Khomeini, o que era meio sinistro, até porque, mulher precisava passar por revista de segurança em uma outra entrada pra poder entrar no local e os homens, não, eles simplesmente entravam… Sem comentários… Depois passamos por um acampamento nômade (que por acaso tinha carros meio ricos… o que era estranho). Mas lá tinha um camelo (ou dromedário… não sei)! Tinha sopas estranhas e doces bizarros. E o mais marcante: uma dança persa exquisita. Eu sei que depois de umas 4h por lá, aquilo tudo ficou meio enjoativo. Na saída, tiramos foto com o time da Bielorrúsia, sorrindo e falado “fezes” (o Mateus queria trollar o outro time haha). Na volta, eu cochilei muito, mas quando eu acordei, estavam jogando mimica nos fundos do ônibus, se não me engano eram os times do Brasil, da Geórgia e da Ucrânia.

Enfim, o dia foi isso. Só não lembro se foi nesse dia que a gente saiu do refeitório e o nosso guia falou que era a primeira vez que chovia em meses (estava meio que choviscando…).

PS: foi nesse dia também que eu comi o pior sorvete da minha vida: açafrão (tem gosto de sabão) e um cara pediu pra tirar foto com a gente e a nossa bandeira (deixarem as imagens falarem por elas mesmas).

Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 5)

Nesse dia não tivemos muitas surpresas. Já estávamos bem decepcionados. Antes do primeiro fight do dia (contra Áustria e Irã, o que não ajudava muito a autoestima), o Léo leu um texto muito bonito para a equipe inteira. Acho que aquilo fez uma diferença imensa, mas eu só lembro das outras equipes olhando pra gente no corredor enquanto a gente ouvia o texto (não deviam estar entendendo era nada…).

Apresentamos o problema 15 (slow descent), fomos opositores do problema 14 (moving cylinder) e avaliadores do problema 5 (car), seguindo exatamente esta sequência, com Mateus, Lucas e Bárbara. Foi um fight cheio de histórias engraçadas (tá, a gente só ri agora…), desesperadoras, divertidas e surpreendentes. A discussão do Mateus foi hilária por motivos que não devem ser publicados. Houve jurados chamando um integrante de outro time de grosso, líder do Irã nos defendendo do presidente da mesa, algumas quedas de papéis, discussão com o juri, um membro da nossa equipe tampando minha boca, problemas técnicos, eu já tinha passado mal no dia, foi uma manhã agitada… Mas o mais surpreendente: nossa nota foi lá em cima. Não sei se foi o texto que nos motivou, só que um fato interessante sobre a fase internacional é que as notas dos fights com equipes mais fortes, em geral, são mais altas, o que é bom, já que é um campeonato de pontos corridos. Mesmo perdendo o PF, ele foi muito proveitoso pra gente.

Almoço e segundo PF. Esse sim foi decepcionante ao cubo. Se não me engano era contra Tailândia e Quênia. Tivemos algumas histórias engraçadas sobre Blak Body Radiation que, mais uma vez, deve ser censurada, na oposição que o Lucas fez pro problema 13 (light bulb). Além disso apresentamos o problema 8 (domino amplifier), sobre o qual comentários devem ser banidos da face da Terra, e avaliamos o 4 (breaking spaghetti). Se o dia tinha começado bem, terminou bem também… bem mal! As notas foram lá em baixo de novo.

No fim do dia, a única diversão foi a incrível pilha de latinhas de refrigerante que o time da Áustria fez no refeitório até o teto. Até as imagens desse dia são poucas, pois não teve passeio. Inicialmente, pensamos que nem tudo estava perdido, já que vimos que estávamos em 13º (no dia seguinte descobriríamos que estávamos em 16º na verdade). Mas, quando soubemos que só teríamos o problema 5 (carro) como opção no dia seguinte pra apresentar, foi desesperador, eu já não queria mais apresentar problemas meus (ainda bem que houve um erro da organização e tínhamos ainda o 11 pra apresentar no último PF).

Enfim o que sabemos é que só nos restava sair de cabeça erguida e fazer um bom último PF no dia seguinte…

Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 4)

Como de costume, o início do dia foi: acordar, refeitório, esperar a ala masculina do time e café da manhã. Seguimos então para o prédio da física. Era o segundo PF, tínhamos tirado notas difíceis de engolir no primeiro, mas estávamos com expectativas de melhoria no segundo.

Fomos avaliadores do problema 11 (fingerprints), apresentados pela Croácia, e opositores do problema 16 (smoke stream), apresentado por Taiwan. Até aí, nossa raiva pelo júri só tendia a aumentar. Veio então a nossa apresentação: problema 1 – adhesive tape. Eu disse: a fita adesiva no pão no dia anterior era um aviso haha. Ok, ouvir que você levou um três porque puxou uma fita adesiva pelo meio (o que, aliás, era pra garantir o controle de parâmetros experimentais) e não pelos cantos é… ridiculamente revoltante (!), principalmente depois de todo o trabalho que foi feito. Mas uma coisa me consola: as piores notas vieram dos jurados locais, que nunca tinham entrado em contato com o IYPT (pra variar um pouco… porque parece que em todas as salas foi assim) e alguns dos próprios concorrentes manifestaram discordância com as notas tãão baixas que tiramos.

Saímos da sala, revoltados e decepcionados ao mesmo tempo. O fato era: dois PFs com notas baixas seguidos é muito pra uma única equipe. Na nacional, nossas performances costumavam tirar ente 8 e 10, o que, por sinal, nos fez ir para a internacional. Aquelas notas não refletiam aquilo ao que estávamos acostumados. Os PFs na internacional costumam só ser tranquilos no final mesmo, quando os times se misturam pra parabenizações, fotos, troca de ideias, xingar o juri (haha) etc.

Passou-se o almoço, fomos para o ônibus: teríamos o primeiro passeio do torneio. Eu e a Julliana tivemos a sorte de estar mais próximas ao nosso alojamento, poder trocar de roupa e deixar nossos computadores nos quartos. Os meninos já não tiveram essa sorte, tendo que ir de uniforme e computador nas costas mesmo. Até cogitaram ir dormir em vez de passear, mas não foi o que aconteceu. Iríamos ao Saad Abad Palace. O Michael (guia) foi bem sincero nessa parte: disse que não sabia nada sobre o local, mas imprimiu a página da Wikipédia sobre ele e nos entregou haha. Chegando lá, andamos pelo local, onde via-se muito verde. Nosso guia nos disse também que a estátua que estava bem na entrada era de um cara que, segundo a lenda, lançou a flecha em uma aposta (ou guerra…. não lembro direito) e, no local onde ela caiu, foram definidas as fronteiras do Irã. Nós também fomos a alguns museus lá dentro. Dentre eles, o único a que não fomos foi o que o Michael chamou de “museu da cozinha, vocês não querem entrar lá, querem?” (estava muito lotado, não estávamos muito afim mesmo… todo mundo estava muito cansado), mas o outro guia acabou com a graça dizendo que não era a “cozinha”, era a “cozinha real”. O pessoal comprou sorvete, a gente tirou uma foto que parecia capa de CD de Rap (sem comentários) e, ao sair, o guia ainda nos levou de carro por incríveis 100 ou 200 m até o ônibus (beleza, foi desnecessário, mas estava muito quente anyway).

Fomos então a uma montanha de onde dava pra ver Teerã por completo. Lá, havia algumas lanchonetes. Infelizmente não havia trocado meu dinheiro ainda, então não pude aproveitar a única oportunidade de comer algo decente… Alguns iranianos ficaram meio que “fazendo festa” com a nossa bandeira do brasil do tamanho de um lençol e umas moças pareciam bem entretidas com isso também, acho que estavam comemorando o aniversário de alguma delas. Lá também havia um estranho cinema 5D (uma espécie de trailer com uma placa do gênero em cima, achei suspeito…) e “patinetes automáticos”. Mas o que mais impressionou foi o enorme buraco no chão do ônibus que nos levou ao topo da montanha, que deixava passar o calor do motor, quase queimando minha perna (segundo o pessoal aqui em casa, queriam imitar os carros dos Flintstones). Além disso, o Michael (nosso guia) falou o que ele fazia naquele local de vez em quando e um menino da Suécia veio falar com ele que, como os pais eram libaneses, ele conseguia entender algumas coisas que lia em persa, apesar de ele saber falar árabe. Acho que foi isso que aconteceu por lá.

Na volta, eu dei uma cochilada enorme no ônibus, o que não foi de todo o mal. Comemos o de sempre (Kebab), quer dizer, eu não comi, no refeitório e fomos aos dormitórios. Acho que foi nesse dia que recebemos visitas de quase todas as meninas nos quartos, mas acredito que algumas delas não vão querer que isso seja publicado… Enfim, no fim das contas, o jeito era dormir, porque no dia seguinte teríamos não um, mas dois Physics Fights.

 

Relato: IYPT 2011 no Irã (parte 3)

4 da manhã. Barulho de mala. Alguém entrando no quarto. Foi assim que acabaram minhas tão adoradas 2h de sono aquela noite. As meninas da Geórgia tinham acabado de chegar. Como elas pareciam meio perdidas, falamos que elas podiam acender a luz e nos apresentamos. Todo mundo voltou pra cama mas, com tudo na minha cabeça (a cerimônia de abertura, o primeiro PF do torneio, o problema que estava tentando resolver em relação a ida ou não do professor para o Irã etc), não consegui voltar a dormir.

6 da manhã. Levantei. Hora de começar a arrumar as coisas. Fui a primeira a levantar no nosso “apartamento”, liguei o Skype um pouco no meu celular por causa da minha mãe. E pouco tempo depois, mais gente começou a sair dos quartos. Muita gente colocando uniforme de time, terno, camisa social. Por volta das 7 e meia da manhã, todas no térreo do alojamento. Uma guia que esperava na porta simplesmente viu meu crachá, perguntou seu era do Brasil e sorriu. Aparentemente, iranianos gostam muito de brasileiros e acontecimentos que viriam mais a frente comprovariam essa tese. Guias na porta, seguimos nosso caminho ao café da manhã. No caminho, nosso guia foi nos indicando cada um dos prédio. O mais recente é o da Engenharia Elétrica, segundo ele, o melhor e mais equipado de todos. Outro que ele gostava bastante era o da Engenharia de Polímeros, pois muitos amigos dele estudam lá. Esperamos os meninos, havia gente perdida, perguntando onde a gente tinha pego água e tudo mais. Digamos que esse café da manhã não me trouxe boas surpresas… Se eu já estava comendo quase nada, aquele primeiro café da manhã teve uma boa dose de colaboração. Peguei um pão, enorme por sinal, mas que tinha um gosto bom até. Após algumas mordidas: uma pedra… Parecia um pedacinho de barro, seco já. Não me agradou muito, mas eu pensei que pudesse ser da panela ou do forno. Então, como eu precisava comer, continuei. Mais algumas mordidas: um pedaço de fita adesiva. Acho que a intenção não era ser um aviso que eu ia apresentar o problema “adhesive tape”. Foi aí que a única coisa que eu passei a comer foi o tal do Lavash, pois ele era tão fino que não poderia trazer nenhum tipo de “surpresa”.

Hora da cerimônia de abertura. Fomos conduzidos até os lugares que estavam separados para o nosso time. Se ela foi divertida ou não, acho que as imagens da imprensa iraniana falam mais do que milhões de palavras. Mas, sim, tivemos diversas história interessantes. Nós tínhamos fones para tradução simultânea! Apesar de não funcionarem muito bem, eles era legais, algumas autoridades iam falar em persa. Durante os milhões de discursos sobre a importância da ciência, o desenvolvimento do Irã, a importância de tal evento, como a união de tantos jovens interessados de todo o globo num só local era incrível e tudo mais, misteriosamente nosso time foi chamado para fora do auditório. Quando chegamos lá, tinham umas duas câmera, dois repórteres e um tradutor. O que eu pensei foi… err… a gente tem que dar entrevista, é isso? Mas quando você pensa: vão ser perguntas sobre o que esperamos da competição ou que estamos achando do Irã, vem a primeira pergunta… “Pelé!”. Hã? Oi? Ele falou mais alguma coisa e depois o tradutor falou: “Ele está perguntando porque vocês não trouxeram o Pelé.” Sério mesmo? A única coisa que nos restou foi cair na gargalhada. E vieram mais perguntas: “Vocês acham que a sua física vai ser tão boa quanto o seu futebol?” e por aí vai. Terminando com: “Quem vocês acham que pode ganhar a competição?”. Hesitamos bastante nessa resposta, até que o Lucas terminou com “a Áustria, mas nós esperamos superá-los” e todo mundo em volta começou a rir. Terminada a entrevista, eis que o Michael nos pergunta porque hesitamos tanto naquela resposta, expliquei que é meio complicado, porque supõe-se que nós tenhamos trabalhado tanto e seria meio estranho falar que nós esperamos que um de nossos concorrentes ganhe. No fim das contas, a gente começou a entender porque iranianos gostam de brasileiros: futebol. Aliás, quando nosso avião estava aterrissando no Irã, um brasileiro estava do nosso lado dizendo que trabalhava como jogador de futebol por lá.

Voltamos ao auditório. Os times começam a ser chamados ao palco. Primeiro, o país mãe do torneio – Rússia.  O capitão apresenta o time e todos descem. O mestre de cerimônias vira e fala o que se tornaria piada durante todo o torneio: “It’s not I-run, that’s Iran” (procurem a pronúncia correta no google tradutor), arrancando risadas da plateia. Ele quis dizer que o capitão tinha pronunciado como “eu corro”. E os próximos times continuaram a subir se corrigindo, com o comentário final “you run, but I don’t”. Ok, isso pode não parecer engraçado lendo, mas vendo os gestos que acompanhavam as falas, as caras e o local era hilário. Todos os times se apresentaram, inclusive a gente. Ocorreu o sorteio das chaves. Cerimônia terminada, hora do almoço.

Eu basicamente não engoli nada. Um amigo do Michael sentou com a gente na mesa e nos contou a história de como ele havia queimado o rosto inteiro. Hm… acho que, no almoço, a conversa foi mais sobre a inflação e o governo no Irã. Saindo do almoço: prédio da física. Eu a a Julliana fomos pegar nossos materiais no alojamento ao lado e todo mundo se dirigiu a sala onde se dariam nossos combates. Chegamos antes dos outros times (Rússia e Bielorrússia, não fosse pela gente, o PF poderia ser feito como nos primeiros YPTs: em russo), então deu pra arrumar algumas coisas. Veio o time da Bielorrússia perguntar se podiam filmar o PF e que nos passariam os vídeos depois. Aliás, eles colocaram esses vídeos no YouTube. O Michael entrou para assistir o fight com o amigo dele. Fomos os primeiros a apresentar. Apresentamos o problema 13, avaliamos o 5 e fizemos oposição para o 12. As notas foram horríveis e, de certa forma, injustas, comparando notas e desempenhos com outros times. O que mais me deu raiva foi a forma como alguns concorrentes, me desculpem o termo, puxavam saco de jurados e pagavam de bonzinhos na frente da banca pra ganhar nota e uma das juradas virar pra gente e falar que “brasileiros são grossos”, entre outras coisas que não valem a pena serem publicadas na internet. Contudo o que mais marcou naquele PF era: nenhum projetor funcionava (tiveram que trocar uma três vezes), o ar condicionado não ligava (o calor estava absurdo e tudo que eu queria era tirar aquele véu) e colocaram um ventilador que nem ajudava, tivemos que usar um computador de outro time (em russo) porque podia dar problema no projetor se trocasse. O PF demorou umas duas horas a mais do que o normal, teve muuuito problema. Por fim, saímos bem pra baixo e fomos direto ao refeitório.

Lá, não comi nada novamente. A comida estava mais diferente que o normal (que contradição) e tinha uma espécie de hambúrguer verde, que no dia seguinte o Michael (o nome dele está sendo citado demais, mas o fato é que ele estava com a gente em todos os lugares) disse que se chamava “cucu” (já deve ter percebido que isso virou piada).

Voltamos ao alojamento. Aparentemente, todos os times tinham sofrido nas mãos dos jurados, porque todas as meninas estavam revoltadas. Dos 60 jurados listados, metade era gente afiliada à universidade local por causa da falta de gente inscrita, o que gerou certos problemas já que eles nunca tinham tido contato com o torneio antes. Isso levou até mesmo a uma reunião de emergência pra poder colocar todo mundo a par das regras de maneira apropriada na manhã seguinte.

Eu fui falar no Skype, arrumar minhas coisas, o dia seguinte seria longo…